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4out

Experimentadores são os novos consumidores

Escrito por: Claiton Pacheco

O consumidor que conhecemos está dando lugar a um novo personagem chamado experimentador. Cada dia mais estamos perguntando uns aos outros: “O que há de novo?”.

As pessoas querem viver novas experiências pessoais e por consequência de consumo também. Esta tendência é percebida, principalmente, entre os mais jovens, mas entre os mais velhos já não é a exceção.

Livres de convenções, imunes a maior parte da publicidade e com pleno acesso à informação e avaliações de outros clientes, as pessoas estão experimentando de tudo. Aliás, navegar na web é tão comum que as pessoas já o fazem sem pensar. O mundo está ofertando elas centenas de milhares de coisas novas todos os dias e elas vão querer experimentar.

Novos aparelhos, novos serviços, novos sabores, novos autores, novos destinos, novos artistas, novos equipamentos, novas relações pessoais e sexuais, novos quase tudo. Todos gostam e querem novidades.

E com a tendência natural e continua de queda nos preços, de tudo, experimentar nunca foi tão acessível para as pessoas. Além disso, a qualidade dos produtos e serviços é esperada, o que faz as pessoas terem menos medo do novo.

A lealdade dos consumidores de forma gratuita e unilateral acabou. A lealdade é uma via de mão dupla, se você não dá, não espere receber. As pessoas querem e vão experimentar coisas novas. Não quer dizer que não irão voltar, mas que vão experimentar vão. E esta é a grande questão, depois de experimentar os seus concorrentes, seus clientes terão motivos para voltar para sua empresa?

Buscar a novidade e pesquisar novos fornecedores já é e será cada vez mais praxe entre os consumidores, ou melhor, experimentadores. Por isso, o grande desafio será criar sempre experiências novas e diferenciadas da concorrência para que eles queiram voltar.

As pessoas têm buscado viver novas experiências para terem histórias novas e diferentes para contar, pois isto as deixa mais interessantes. Ao mesmo tempo, as pessoas também estão mais interessadas em ouvir os relatos que os outros têm para contar. Os experimentadores gostam de falar sobre suas experiências e ouvir sobre as experiências dos outros.

Inclusive, tomam muitas de suas decisões de compra baseadas nas experiências dos outros. Neste cenário a publicidade não desaparece, mas perde relevância, aliás muitas pessoas nem acreditam mais em propagandas.

Existe toda uma estrutura C2C (customer to customer) para darmos relatos sobre nossas experiências e ouvirmos sobre as experiências dos outros. Isso, inclusive, tem encorajado as pessoas a comprarem coisas que nunca compraram, pois ao ler relatos dos outros tomam coragem e compram. Some-se a isso o fato que, sabem que ao comprarem algo errado poderão devolver ou ainda vender a outro experimentador através de sites como o Mercado Livre ou eBay.

Para os experimentadores é melhor lidar com uma possível decepção resultante de experimentar algo novo, desconhecido do que ficar na mesmice. Por exemplo, um fim de semana de viagem num lugar diferente estragado pelo mau tempo é melhor do que ficar em casa.

Nessa onda de experimentar as pessoas estão preferindo alugar e usar em vez de comprar. Do aluguel de bolsas de luxo ao compartilhamento de carros, tudo está aí para ser experimentado.

O experimentador vai além do consumo de um produto ou serviço, quer ajudar a criar. Além de querer experimentar coisas diferentes, com suas experiências, quer ajudar a melhorar aquilo que ele já comprava anteriormente.

O fato é que o modo como as pessoas se relacionam está mudando, não se trata mais de uma relação entre consumidor e empresa. Trata-se de uma relação entre pessoas. Precisamos entender que as pessoas estão mudando e sociedade por consequências está mudando também. O ser humano quer experimentar.

Claro, que nem todas as pessoas serão experimentadores e nem todos os experimentadores serão assim o tempo todo. E é aí é que reside o maior perigo e as maiores oportunidades.

Experimente, ao menos, pensar sobre isso.